“Que farei com este
livro?”
“Que farei com este
livro?”
Para o dia de S. Valentim
«Gostar
é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de
gostar,»
“O conto da ilha desconhecida”
"A Caverna"
«Por fim as nuvens desapareceram. A noite vinha devagar entre as oliveiras. Os animais faziam aqueles ruídos que parecem uma interminável conversa. Meu tio, à frente, assobiava devagarinho. Por causa de tudo isto me veio uma grande vontade de chorar. Ninguém me via, e eu via o mundo todo. Foi então que jurei a mim mesmo não morrer nunca.»
“A Bagagem do Viajante”
«Nem tudo foi tão sórdido neste país em que não se morre como o que acabou de ser relatado, nem todas as parcelas de uma sociedade dividida entra a esperança de viver sempre e o temor de não morrer nunca conseguiu a voraz máfia cravar as suas garras aduncas, corrompendo almas, submetendo corpos, emporcalhando o pouco que ainda restava dos bons princípios de antanho, quando um sobrescrito que trouxesse dentro algo que cheirasse a suborno era no mesmo instante devolvido à procedência, levando uma resposta firme e clara, algo assim como, Compre brinquedos para os seus filhos com esse dinheiro, ou, Deve ter-se equivocado no destinatário. A dignidade era então uma forma de altivez ao alcance de todas as classes.»
“As intermitências da morte”
«As histórias para crianças devem ser escritas com
palavras muito simples… Quem me dera saber escrever essas histórias…»
“A maior flor do mundo”
«Ah, povo conservado na banha ou no mel da ignorância, que nunca te faltaram
ofensores.»
“Levantado
do chão”
«- qualquer regime (posicionamento ou comportamento individual, também)
fascista - é igual ao tubarão: dispõe de fileiras sucessivas de dentaduras, e
sempre que nelas um dente se parte ou gasta, outro dente, fresco e afiado,
avança a ocupar o lugar... Como é fácil concluir, o único remédio consistiria
em matar o tubarão ou amordaçá-lo definitivamente. A tarefa tem sido dura, dado
que o animal estrebucha muito, desfere dentadas a torto e a direito – e nunca
está no mesmo sítio»
crónica “Uma nova provocação”, datada de 20 de Maio de 1975 e publicada em "Os apontamentos", p. 225