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23 dezembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES – 31

«A vida é assim, faz-se muito de coisas que acabam, Também se faz de coisas que principiam, Nunca são as mesmas.»

                                                                            “A Caverna”

17 dezembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES – 30

 

«A Memória Coerente

A experiência pessoal e as leituras só valem o que a memória tiver retido delas. Quem tenha lido com alguma atenção os meus livros sabe que, para além das histórias que eles vão contando, o que ali há é um contínuo trabalho sobre os materiais da memória, ou, para dizê-lo com mais precisão, sobre a memória que vou tendo daquilo que, no passado, já foi memória sucessivamente acrescentada e reorganizada, à procura de uma coerência própria em cada momento seu e meu. Talvez essa desejada coerência só comece a desenhar um sentido quando nos aproximamos do fim da vida e a memória se nos apresenta como um continente a redescobrir.»


“Cadernos de Lanzarote”

16 dezembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES - 29

 

Na ilha por vezes habitada

«Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade,
e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres,
com a paz e o sorriso de quem se reconhece
e viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até aos ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.»

“Provavelmente Alegria”

14 dezembro 2021

11 dezembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES – 26

 

«enquanto houver vida, haverá esperança. Sim, é certo, por mais espessas e negras que estejam as nuvens sobre nossas cabeças, o céu lá por cima estará permanentemente azul, mas a chuva, o granizo e os coriscos é sempre para baixo que vêm, em verdade não sabe uma pessoa o que pensar quando tem de fazer-se entender com uma ciência dessas»

“A caverna”


10 dezembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES – 25



«Seria tudo mais fácil de entender se confessássemos, simplesmente, o nosso infinito medo, esse que nos leva a povoar o mundo de imagens à semelhança do que somos ou julgamos ser, salvo se tão obsessivo esforço é, pelo contrário, uma invenção da coragem, ou a mera teimosia de quem se recusa a não estar onde o vazio estiver, a não dar sentido ao que sentido não terá. Provavelmente, o vazio não pode ser preenchido por nós, e isso a que chamamos sentido não passará de um conjunto fugaz de imagens que num certo momento pareceram harmoniosas, ou onde a inteligência em pânico tentou introduzir razão, ordem, coerência.»

“A jangada de pedra”

08 dezembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES – 23


«Foi ontem, e é o mesmo que dizermos, Foi há mil anos, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó, o tempo é uma superfície oblíqua e ondulante que só a memória é capaz de fazer mover e aproximar.»

"O Evangelho Segundo Jesus Cristo"

04 dezembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES – 19

 


«a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio duma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz, Você está a tresvariar, tudo quanto diz está ligado entre si, não há nenhuma solidão, Deixemos a árvore, olhe para dentro de si e veja a solidão, Como disse o outro, solitário andar por entre a gente, Pior do que isso, solitário estar onde nem nós próprios estamos»

“O ano da morte de Ricardo Reis”

01 dezembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES – 16

 SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES – 16  

«Cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança.»


“Ensaio sobre a cegueira”

29 novembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES – 14

«O que há mais na terra é paisagem. Por muito que do resto lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porque a paisagem é sem dúvida anterior ao homem, e apesar disso, de tanto existir, não se acabou ainda. (…) não falta cores a esta paisagem. Porém, não é só de cores. Há dias tão duros como o frio (…), outros em que nãos e sabe de ar para tanto calor: o mundo nunca está contente, se o estará alguma vez, tão certa tema morte.. (…) Tanta paisagem. Um homem não pode andar por cá uma vida toda e nunca se achar, se nasceu perdido.»


 “Levantado do chão”

28 novembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES - 12

 

«(…) e de repente desapareceu da vista. Fez plof e sumiu-se. Há onomatopeias providenciais. Imagine-se que tínhamos de descrever o processo de sumição do sujeito com todos os pormenores. Seriam precisas, pelo menos, dez páginas. Plof»

"     "A viagem do elefante"

26 novembro 2021

11- SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES - 10


«Têm razão os cépticos quando afirmam que a história da humanidade é uma interminável sucessão de ocasiões perdidas. Felizmente, graças à inesgotável generosidade da imaginação, cá vamos suprindo as faltas, preenchendo as lacunas o melhor que se pode, rompendo passagens em becos sem saída e que sem saída irão continuar, inventando chaves para abrir portas órfãs de fechadura ou que nunca a tiveram.»

"A viagem do Elefante»

24 novembro 2021

23 novembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES – 8

“Caem sobre ele (o silêncio) as palavras. Todas as palavras boas e as más. O trigo e o joio. Mas só o trigo dá pão.”


“A jangada de pedra”

22 novembro 2021

SARAMAGO, CEM ANOS, CEM CITAÇÕES – 7


«Vai descendo por esta álea como lhe disseram, à procura  do quatro mil duzentos e setenta e um, roda que amanhã não anda, andou já, e não andará mais, saiu-lhe o destino e não a sorte. A rua desce suavemente, como em passeio, ao menos não foram esforçados os últimos passos, a derradeira caminhada, o final acompanhamento, que a Fernando Pessoa ninguém tornará a acompanhar, se em vida realmente o fizeram aqueles que em morto o seguiram, é este o cotovelo que devemos virar. Perguntamo-nos que viemos cá fazer, que lágrima foi que guardámos para verter aqui, e porquê, se as não chorámos em tempo próprio, talvez por ter sido então menor a dor que o espanto, só depois é que ela veio, surda como se todo o corpo fosse um único  músculo pisado por dentro, sem nódoa negra que de nós mostrasse o lugar do luto.«

  José Saramago, “O ano da morte de Ricardo Reis”